Frágil Amor
23:12
PS: PARA QUEM ANDAVA RECLAMANDO DOS FINS TRISTES.
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Ela andava pela rua, seu olhar
desolado, seus passos em câmera lenta, o cabelo dourado voando a favor do
vento. Fazia frio, as pessoas caminhavam numa mesma direção e apenas ela na
contra mão. A verdade é que ela estava cansada de andar na mesma direção, sempre.
Estava disposta a começar do zero e se possível do jeito mais tortuoso, odiava
o amor intenso e as juras que escaparam dos lábios dele.
Frágil amor. Ela abraça o corpo
sentindo os perfumes e odores se misturarem, uma lagrima cambaleia de seus
olhos e ninguém nota o quanto ela está sofrendo. As pessoas não enxergam mais
umas as outras, esqueceram de sentir a essência da vida, então pouco importa se
aquela desconhecida está chorando, sendo destruída por dentro.
Suas pálpebras se fecham e nelas
bailam o rosto dele em seu ato mais promiscuo, seu olhar oscilando entre ele e
outra garota, a traição. Oh, como ela consegue se odiar, sofrer e se martirizar
com o que viu.
Ela consegue se vê novamente
dentro daquela cena. Eles tinham escolhido aquele chalé com tanto amor e
expectativas. Breve se casariam, dividiriam tudo e agora ela se pergunta se
valeu a pena amá-lo todo este tempo enquanto as coisas passam feito um
turbilhão em sua mente.
O chalé dos sonhos estava
destruído, manchado com a dor da discórdia e pela culpa de não conseguir entender.
Os cacos estavam espalhados no chão. As marcas de suas unhas ficaram no roto
dele, no peito em que várias vezes se viu deitada. Valeu mesmo à pena? Quem era
ela? Quem era ele?
Ela não consegue afastar os
pensamentos de sua mente. Seus rostos em vários lugares no chão onde estavam
milhares de fragmentos do espelho. Ira, dor, medo. O castelo de sonhos
destruído, engolido pelo mar.
Ainda andando no meio da multidão
sem destino, ela se ajoelhou, seu estomago se contraindo, o choro ecoando pela
garganta. Doi, dói, dói. Afinal quem inventou o amor? O que faria de sua vida?
Com todos os seus sonhos?
A vida dela se resumia a dele. Se ele se movesse, ela
se movia. Um pertencia ao outro do jeito como ninguém jamais conseguiu entender.
Então o que aconteceu?
Ela não sabe. Ninguém sabe. Tudo o
que ela tinha de fazer era aguentar. É fato que às vezes precisamos derramar
sal na ferida, dói, arde e dilacera, mas faz parte da cura, do entender que vai
sarar mais rápido e se não aguentar, então apenas derrame água. Seu relacionamento
estava assim. Esse estopim funcionou para que ela possa entender o que
realmente quer com ele, como realmente será sua vida ao lado dele. Ela
suportaria o sal na ferida ou derramaria água?, acabaria com tudo?
Frágil amor.
De repente ela se ver parada em
um lugar. Não sabe como foi parar lá, um segundo atrás estava no meio da
multidão, no outro estava no chalé destruído, os pés apertado os cacos
espalhados no chão. Seu olhar desolado fitava os dele, aquele a quem um dia se
entregou de tal forma que chega a ser irracional.
Seus olhares se encontram, o
rosto dele sangrando, a pele dele ainda entranhada nas unhas dela. Ela quer dizer
que quer destruir tudo e não consegue, ao invés disso caminha na direção
daquele a quem agora odeia tanto e se senta ao lado dele. Ela se sente uma
marionete sendo ruída por cupins, que não suporta mais a encenação, que quer
cortar todas as cordas, quer ir.
Ele não fala nada, não sabe o que
dizer, mas sua mente reflete o que ele desejaria ouvir.Tudo o que ele sempre
conseguiu ser em sua vida era ser paciente, esperaria ela tomar a iniciativa,
dizer o veredicto, quiçá ousar dizer que neste momento a ordem de dizer adeus
era importante.
Eles se olham, dois pares de
olhos que se fitam, que vazam água, dois pobres vira-latas necessitando de
carinho e atenção. Ele lambe os lábios e ela suspira ainda perdida no olhar
dele, se lembrando do por que valia a pena. Foi ele quem a ensinou a amar, que
segurou todas as suas crises, seus medos e anseios, foi ele quem disse que a
amava sem ao menos ela perguntar, que fazia cafuné na sua cabeça, que lhe
beijava a boca de um jeito tão inebriante como nenhum nunca fez. Ele que
deixava o ultimo bombom da caixa para ela, que há abraçava nos dias mais frios,
que fazia seu corpo elevar a temperatura tão rapidamente, ele a ouvia,
inventava historias, fazia planos e cumpria todas as promessas e se ela pedisse
uma estrela é obvio que ele iria buscar, não saberia como, mas iria. Era ele
quem a envolvia com seus braços e deixava que ela repousasse sua cabeça ali
mesmo até que seu braço ficasse dormente e urrasse de dor. Dor. Sem duvidas, se
houvesse uma maneira dele tomar para a si a dor que ela sentia agora, então ele
tomaria, sem titubear, sem pensar duas vezes. Ele a aturou todo esse tempo, a
amou de todas as maneiras possíveis e nunca reclamou, estava sempre contente,
fazia o mundo mais escuro acender a luz mais natural. Ela era o seu
mundo, sua ilha perdida no mar onde apenas ele habitava.
Agora, nesse exato momento ela
sete que a culpa não é dele. Que não importa o que tenha acontecido ela não o
culparia. Ele nunca reclamou. Ela sempre reclamou. Estava na hora dela prestar
mais atenção nele, estava na hora de entender. Por que temos de ser sempre o
centro do mundo? Por que não podemos deixar de ser o protagonista apenas uma
vez? Por que insistimos em brincar de mundo perfeito? Está na hora de dá a cara
pra bater, de realmente fazer por merecer. Está na hora de crescer e se importar
mais com os outros, mesmo que não haja recíproca. Por que não amar o feio?,
contos de fadas só existem na cabeça de quem consegue ser quem realmente é. E era
isso. Ele era isso, ela tinha se apaixonado por ele... Ele não tinha medo das
rachaduras em seu mundo belo por que sempre sabia que iria conseguir restaurar;
ele sabe como restaurar esse frágil amor e ela aprenderia com ele, subiriam
juntos cada degrau.
Afinal quem irá amá-la da forma
que ele a ama? Quem lutaria por ela quando já não houvesse mais esperança? Era
ele, e ela seria exatamente como ele.
Então ela sorrir para ele e limpa
as lagrimas do rosto ferido, marcado. Ela aperta a mão dele, um pedido de
desculpas, a descoberta de que vale sim a pena suportar o sal na ferida por que
se não como ela entenderia que o ama de verdade? Errar faz parte do jogo.
Eles não sabem o que é aquilo que
lhes movem, qual o encanto que um opera no outro, mas sabem exatamente o que
aquilo significa, algo que ninguém jamais saberá se não conseguir oferecer uma
segunda chance para quem quer que seja, para você, para o mundo.
E quando ele a beija ela sabe que
ele merece uma segunda chance, que ela merece uma segunda chance, por que no
fundo eles sabem que um completa o outro e essa separação pode ser fatal, por
que o amor que um sentem pelo outro é algo que talvez nem mesmo Deus consiga
entender.
Por que ninguém entende o amor, mas
quando se é verdadeiro, é para sempre.
5 comentários
Que história linda *--------------------------*
ResponderExcluirFinalmente um final feliz kkk
Finalmente, mas não será assim sempre tá? só variei o cardapio.
ExcluirHAHAHAHAHAHA '',]
Curti demais. Ass Grazi.
ResponderExcluirQuem foi que escreveu? Muito bom. Também pretendo escrever alguns contos na minha página. Quero ver meu desempenho como escritor.
ResponderExcluirBOA TARDE!!
ResponderExcluirQuerido Parceiro, desculpe a ausência no seu blog, primeiro fiquei sem internet e mal consegui acessar o blog nas Lans, agora começei faculdade e estou com pouco tempo, mas estou e estarei fazendo sempre um esforçinho para poder passar por aqui visitar e comentar em seu blog!
Beijos e ótimos dias!
@AngelKiller_ // Blog Anime Daiki