Alguma coisa que me deu vontade de registrar.
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Okay, você
está preparado para o meu relato de vida? Pois bem, se assim for: sinta-se
convidado, a brincadeira acabou.
Eu sabia
que a minha vida nunca seria fácil como a de um astro de rock, e
verdadeiramente eu sempre soube o por quê. Primeiro: Segui tantos caminhos
errados que nem ao menos soube como retornar, mas acreditem: Nada disso foi
culpa minha (ou foi?).
Aos sete
anos eu ia até a janela do meu quarto e observava as crianças brincarem; elas
se divertiam pulando amarelinha, brincando de bicicleta e quebrando vidraças
das casas alheias. A questão é que eu sempre fui tachado como a
criatura-muda-da-casa-da-esquina. Ah, sim, não me pergunte por que fui provido
de tal apelido. Voltando. Enquanto eu observa aquelas crianças eu sempre me
imaginava brincando com elas, ou quiçá com alguma delas, só que por mais que me
esforçasse ninguém parecia me notar, era como seu eu fosse um pacote de
biscoito ou um ser inanimado. Resumindo: eu era um ser desprovido de atenção.
Às vezes eu
chegava em casa chorando, corria até o meu quarto e tirava toda a roupa,
procurava por alguma pereba ou cicatriz em meu corpo para tanto desprezo, mas
no fim eu nunca encontrava nada de anormal, quer dizer, eu era só um garotinho
de pele morena, olhos amendoado, cabelo caindo nos olhos e quando não mais um
cabo-verde. Modéstia parte eu era lá um garoto bem bonitinho.
Hum... Eu
era um garoto maltratado, deslocado e mal compreendido, mas sempre inteligente,
e com isso eu encontrei a chave do desprezo, claro, estava estampado em minha
testa para todo mundo ver: POBRE. Acredite, a minha casa era a única que tinha
uma tintura branca com mofo a toma-lhe por inteiro. Dentro dela não tinha nada
de moderno, a não ser a nova televisão já que a última tinha pifado no último
capitulo de “O Beijo do Vampiro”, e talvez até fosse lá uma maldição. Já as
casas ao redor da minha eram coloridas, com jardim, piscina com patinhos,
cachorro, papagaio, rede e tudo que a mente humana possa imaginar para deixar a
sua casa a cara da riqueza.
Com tanto
desprezo resolvi entregar toda a minha amizade ao meu boneco Toby, e com isso
fui crescendo cheio de fantasias. Aos oito todos os meninos e meninas da rua já
haviam trocado o seu primeiro beijo, e eu? Bom, eu ainda estava parado na
varada da minha casa-feia brincado com um boneco que parecia o super-homem, mas
não era, e mesmo assim parte de mim sabia que eu era feliz, mesmo com um boneco
que já desbotava e por vezes eu imaginava que falava.
Para piorar
a minha situação, aos nove ganhei o meu primeiro óculos fundo de garrafa, o fez
com que eu fosse notado, ah, melhor: zombado. Fui chamado de “quatro olhos,
dois de vaca e dois de boi” por um tempo logicamente capaz de me fazer
acostumar com o novo apelido.
Eu
realmente devo ter derrubado 1 litro de Coca nos primeiros rabiscos da
Microsoft para o desenvolvimento do computador, por que eu simplesmente fui
aniquilado do mundo sem ao menos saber, já que nem os meus pais cabeças ocas
tinham tempo para mim.
Só que as
coisas de repente começaram a mudar. Quando aderir ao meu novo óculos os
apelidos só cresceram como uma imensa goma de mascar presa no carburador. E
esse dia fui crucial. Agredi o garoto com a mesma idade que a minha, e quando
digo agredir é por que a coisa ficou realmente feia. No fim o garoto estava de
bruços enquanto eu estava em cima dele em meu granfinali: puxando o cabelo dele
com a intenção de arrancar a cabeça do garoto fora. Fui levado para o postinho
policial junto com a mãe do garoto, uma mulher magricela e de dentes grandes,
enormes, praticamente uma caveira perdida no mundo dos vivos. No rosto do filho
tinha um enorme galo, olho roxo, sangue escorrendo do cabelo e bom... hum,
faltando-lhe um dente. Passei a noite e uma manhã num postinho policial, já que
nem ao menos tive o apoio dos meus pais para me tirarem de lá. Sorte minha que
tinha conseguido amolecer o coração do policial gordo.
Desse dia
em diante não sair mais de casa, a não ser para ir ao colégio. Minha mãe era ou
é pintora, e com isso dediquei-me inteiramente a leitura e rábicos em quadros
que no fim eu escondia.
Quando
finalmente cheguei aos quatorze consegui um emprego na padaria, não era lá um
digno emprego, mas eu gostava, sempre ficava perto do fogo, onde ninguém mais
me via a não ser o padeiro. Aos poucos fui mudando quarto, comprando roupas e
logo eu estava vestido como um roqueiro (ah, sim, quem nunca passou por está
fase atire a primeira pedra). Claro que esse foi um ponto em que fez a minha
mãe me notar pela primeira vez... E para alegria do meu ser ela tinha odiado as
minhas roupas novas e me obrigou a aderir às antigas ao mesmo passo em que
perdia o meu emprego após deixar uma assadeira enorme de pães queimarem.
Fui
tecnicamente obrigado a voltar ao colégio, já que tinha o abandonado por duas
semanas. Enquanto todos estavam em filas duplas, eu estava sentado na ultima
mesa, sozinho, não por querer, mas por dever. Eu tinha acabado de receber a
nota de um teste relâmpago, e para a minha surpresa um enorme “F” estava
estampado de vermelho. O que eu fiz? Fiz carinhas no “F” para me distrair. Nos
outros dias eu ficava observando as frases idiotas na carteira, como aquelas
que te faz ri e se perguntar qual a graça nisso: “Barbara + Eduardo = Amor” ou
“Luana e Pedro para sempre”, só me restava concluir e dizer que nada é para
sempre.
E é verdade:
Nada é para sempre.
Aos quinze
todos do colegio estavam animados para a festa da Lorelay, uma riquinha, e
claro, as compras rolavam solta. Segui um grupo de adolescentes que comprava
roupas para tal evento. De longe eu observa-os trocarem de roupas a todo
instante, e quando finalmente vi um garoto adorar casaco xadrez eu entrei na
loja, apanhei um casaco, fui até o vestiário e quando sair tinha a peça de
roupa em minha mochila. Para minha infelicidade fui flagrado e humilhado, sem
falar que fui enxotado da loja sem o meu furto, o melhor é que não foi preciso
a policia ir até lá, só que os olhares dos adolescentes eram um tiro do qual eu
nunca morria, só sentia a dor.
O meu golpe
final foi quando aos dezesseis entrei no banheiro, apanhei uma gilete e
chorando fui até o box, enchi a banheira e nela entrei com roupas e tudo.
Chorando por me dizer que amava uma garota e ela ter rido de mim, eu cortei os
pulsos e sangue jorrou tingindo a banheira de vermelho. Acordei na UTI, tinha
perdido muito sangue e o barulho da maquina intercalavam com os olhos dos meus
pais. Aqueles olhos preocupados é a minha única recordação de que tudo mudaria.
E quando os
meus olhos pesaram, eu percebi que todos estes anos tudo o que eu fazia era em
função de alguém, estava na hora de reverter o jogo. Eu viveria a minha vida,
independente de quem eu seja, por que ninguém, eu disse NINGUÉM nunca chegará
aos meus pés.
4 comentários
Nossa... que história triste. Sério que é sua mesmo:: :o
ResponderExcluirNunca podemos atribuir a nossa felicidade em outra pessoa... Temos que nos aceitar do jeito que somos e ser feliz por isso :)
Beijos.
Dani
http://chabiscoitoseumlivro.blogspot.com
kkkkkkkkkkkkkkkkkk minha? sim e não. eu escrevi, mas não é real não (:
ResponderExcluirTá com vergonha de contar que era sua vida Matheus? KKKK
ResponderExcluirIsola jacaroa do brejo, eu era bem social quando criança tá?!
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