Resenha: A máquina de contar história - Mauricio Gomyde

21:27

FALTOU ALGUMA COISA 
3.5


SINOPSE: Na noite em que o escritor best-seller Vinícius Becker lançou A Máquina de Contar Histórias , o novo romance e livro mais aguardado do ano, sua esposa Viviana faleceu sozinha num quarto de hospital. Odiado em casa por tantas ausências para cuidar da carreira literária, ele vê o chão se abrir sob seus pés. Sem o grande amor da sua vida, sem o carinho das filhas, sem amigos... O lugar pelo qual ele tanto lutou revela-se aquele em que nunca desejou estar. Vinícius teve o mundo nas mãos, e agora, sozinho, precisa se reinventar para reconquistar o amor das filhas e seu espaço no coração da família V. Uma história emocionante, cheia de significados entrelaçados pela literatura, mostrando que o amor de um pai, por mais dura que seja a situação, nunca morre nem se perde.


    "No fundo, as pessoas não compram autores, não compram livros. Compram a emoção que a história promete proporcionar. O que cada leitor quer é, durante a imersão no mundo criado pelo escritor, esquecer-se dos problemas, angústias e tragédias do dia a dia. Ou, ainda que por alguns instantes, experimentar uma vida diferente da sua realidade."


Então mais um livro do Gomyde é lançado, eu tipo: QUERO!, mas ai...
 
A MAQUINA DE CONTAR HISTÓRIA narra o drama da família V, ou melhor, a estória do Vinicius Becker, um autor Best-seller pra lá de baguidá! Vinicius está no auge do sucesso, exatamente no lugar em que qualquer autor gostaria de estar! A questão é que Vinicius preza tanto a sua carreira de escritor que acaba esquecendo-se de sua própria família. Vinicius tem aquele choque de realidade quando, em mais um de seus eventos, ele descobre que a sua esposa Viviana, vitima de um câncer, acaba de falecer, e o pior: ele nem ao menos estava lá para dá o último adeus aquela quem tanto amou! Pai de duas garotas, Valentina e Vida (doce, Vida), ele começa carregar o peso da culpa de ser tão ausente com sua familia, principalmente quando a Valentina praticamente coloca a culpa de todo o mundo nas costas do pai.
 
Sendo assim, aos poucos, Vinicius começa a fazer uma retrospectiva de sua vida na tentativa de encontrar os erros cometidos, ao mesmo tempo que a Valentina continua o culpando e culpando e culpado – com razão, juro. Por quê? Bem, em pleno seus 16 anos – a fase em que todos os adolescentes sofrem uma avalanche de mudanças – Valentina teve que conviver ao lado de sua mãe durante toda a doença, com a ausência do pai que só se importava com seus livros e eventos, sem “ninguém” para desmanchar aqueles malditos nós e questionamentos de sua adolescência.
 
Vinicius vai do céu ao inferno literalmente, tendo que lidar com a morte da esposa, a magoa da filha e a vontade louca de não errar com a segunda filha, ainda pequena. Então, como se cura um resfriado, ele decide de uma hora para outra largar tudo e fazer uma viagem com as suas duas filhas. Essa é a única chance que ele tem de tentar fazer tudo de novo, começar do zero; é a hora de ser o pai que ele nunca foi. Enfim, os três viajam, por que no fim todos – os três – precisam de um perdão.
 
Olha, li dois livros do Gomyde – O mundo de vidro e Ainda não te disse nada – e confesso que desses, esse foi o única que não me agradou 100%. A premissa da estória é sim, boa. Esse lance de escritor e tudo mais super funcionou, principalmente para quem sonha com a carreira (peguei várias dicas lá para levar pro resto da vida)... Mas o protagonista não me convenceu. O Vinicius ficava o tempo todo nessa saga dele de conseguir – e se humilhando constantemente – pelo perdão da filha mais velha, Valentina. Isso me irritou. Sem falar que eu não acredito muito nessa coisa de “é preciso acontecer uma tragédia para dá valor ao que realmente importa”. Quer dizer que você fica o tempo inteiro ausente e de repente quer de volta algo que já foi perdido, assim, num estalo? Oquei, sim, eu sei que ele quer tentar de novo, mas ainda assim acho que foi muito rápido – ou as coisas não se resolvem assim numa viagem.
 
Não mais, irei colocar a culpa no número de paginas, talvez fosse preciso um pouco mais. A Valentina e o Vinicius, para mim, ainda tinha muiiiiiita coisa para resolver. Bem, tirando o Vinicius de foco, adorei a estória e a mensagem que o autor quis tanto passar resumida em uma palavra: perdão. Por que todo mundo merece uma segunda chance. Merece ser perdoado – rápido, devagar, enfim.
 
Gente, leiam a estória, é bem bacana, o Gomyde sabe e muito escrever, o trabalho de diagramação e revisão da editora está incrível, só falta você ler e amar ou nem tanto a família V – é tudo questão de ponto de vista.
 

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1 comentários

  1. Hey!

    Ah, eu sempre escuto maravilhas sobre o Mauricio, estava com as expectativas altíssimas para este livro. E mesmo que você tenha tido seus problemas com o protagonista, continuo querendo conferir por mim mesma. Só vou controlar um pouco as expectativas. Ótima resenha!

    Beijos
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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