Simplesmente assim...

23:41


Eles tinham vinte e poucos anos e um mudo a ser descoberto. Faziam faculdade e trabalhavam de garçons. Pareciam ser os melhores amigos.  A primeira vez que ele a abraçou o mundo pareceu vibrar, por que de alguma maneira aquele pequeno gesto fazia tudo ser perfeito, transmitia uma confiança entre ambos que era impossível descrever. Então ele resolveu dizer; dizer como os guinomos pulavam em seu estomago quando ela o tocava, como os seus olhos parecia não querer ver nada além do rosto dela, de como seu desejo insano de beijá-la o tormentava todas as noites...

Não houve muita coisa. Ela sorriu prometendo que pensaria com carinho, por que era muita coisa para se entender e por isso decidiu ficar calada. Apenas calada. E a noite chegou. Cada um foi para o seu lado, não antes de trocar aquele abraço, aquele olhar.

Desde então ela nunca mais voltou. Ele passa seus dias imaginando como seria se eles estivessem juntos, onde ela estaria nesse exato momento. Tá, ele até consegue criar fantasias que perduram um minuto e nada mais. Nada mais. O sorriso enlusivo dela ainda dança em suas pálpebras. A verdade é que ele ainda a ama e sempre a amará.


Trinta e poucos anos. Ele enfim a encontra, sentada num banco de praça. Primeiro ele se pergunta se é uma miragem, depois percebe que a garota que amou por todos estes anos envelheceu um pouco. Sem saber o que pensar, sem saber o que dizer ele se aproxima. E ficam os dois olhando um para o outro, sem constrangimento. Olhos que brilham, culpa das lagrimas que querem rolar. Até que ele pergunta apenas por quê. Por que ela o deixou se naquele tempo estavam prontos para dominarem o mundo. Se ela tinha ensinado aquele menino se tornar um homem, rebelde, dono de seus princípios! Por quê?

Sem alternativas ela responde. Diz aquilo que ele sempre quis ouvir todo este tempo. Ela diz. Diz que o amava, ainda o ama, mas teve que fugir... Fugir , porque apesar de amá-lo, ela não o merecia, não era digna de ser tão amada. Ele merecia alguém que a amasse tanto quanto ele dizia amá-la... E não podia ser ela... Não podia.

Sorrindo ele a abraça, dizendo o quanto ela é uma boba, por que ele a amava sem cobranças. A ama com seus defeitos, delírios e anseios. Amava-a simplesmente por que a amava e ponto. Ninguém nunca entendeu o amor... Não escolhemos o amor, é ele quem nos escolhe, só bastamos acatar. 

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1 comentários

  1. Own que texto...
    Lindas palavras pra meu coração confuso...

    Beijo

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